segunda-feira, 12 de novembro de 2012

2º Ano Brasil Império


Independência ou emancipação política da América Portuguesa (1822):

Contexto europeu no século XVIII E XIX:

A Independência (separação política de Portugal; fim do Pacto colonial) do Brasil se insere no quadro de crise do Antigo Regime (Idade Moderna) na Europa:
- queda do regime Absolutista, do mercantilismo, do misticismo religioso.
- período de implantação de regimes políticos liberais: monarquias parlamentares constitucionais e repúblicas e da economia liberal e do início do processo de industrialização.
O processo de Independência do Brasil foi influenciado pelo contexto europeu, com destaque para:

A) ILUMINISMO:
·Defesa do conhecimento racional; Defesa de um sistema Constitucional (liberdade civil) e de governos de caráter mais democráticos; Busca da Verdade, Liberdade, Igualdade.
· Defesa da livre-concorrência, propriedade privada, auto – regulação da economia, liberdade de contrato.

B) REVOLUÇÕES BURGUESAS XIII:
Inglesas (Puritana e Gloriosa): derruba o absolutismo na Inglaterra, implanta uma monarquia constitucional parlamentar, permitindo a participação política da classe burguesa.
Industrial: permitiu avanço do sistema capitalista, fortalecendo a classe burguesa (empresários, comerciantes, banqueiros)
Francesa: derruba o absolutismo na França, permitindo a participação política da classe burguesa e a industrialização do país durante o governo de Napoleão Bonaparte.
Independência dos EUA: Rompeu com o SISTEMA ou PACTO COLONIAL inglês na América do Norte. Adoção de um regime político REPUBLICANO, LIBERAL, CONSTITUCIONAL E UMA ECONOMIA LIBERAL.


ENQUANTO TUDO ISSO ACONTECIA NA EUROPA E NA AMÉRICA DO NORTE, O BRASIL AINDA ERA UMA COLONIA DE PORTUGAL QUE GERAVA RIQUEZAS PARA A METROPOLE ATRAVÉS DO PACTO OU SISTEMA COLONIAL: OU SEJA, FORNECENDO MATÉRIA-PRIMA, PRODUTOS AGRÍCOLAS E METAIS PRECIOSOS; E COMPRANDO COM EXCLUSIVADE PRODUTOS MANUFATURADOS (TECIDOS)  E ESCRAVOS DE PORTUAL.

Movimentos internos contra a Metrópole:

*Movimentos nativistas: conflitos locais sem interesse separatista: Revolta de Beckman; Guerra dos Mascates; Revolta de Felipe dos Santos;

* Movimentos emancipacionistas: criticou o sistema ou pacto colonial com inspiração nas idéias iluministas européias.

Inconfidência Mineira 1789:

Movimento elitista, adepto às idéias Iluministas que durante o declínio da mineração se revoltou contra a Derrama. Advogados, juízes, comerciantes, padres, agiotas e membros de sociedades secretas defendiam idéias emancipacionistas, desafiando o poder colonial Seus objetivos eram:
- separação de MG;  - elaborar uma Constituição;  - desenvolver indústria; - criar universidades em Vila Rica;
- não tocou na questão da escravidão. - Destaque para figura de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes)

Um dos participantes das reuniões secretas, o comerciante português Joaquim Silvério dos Reis, em troca do perdão de suas dívidas, entregou o nome dos “inconfidentes” antes que qualquer passo fosse dado, e o governador procedeu à “devassa” (procedeu a uma série de investigações).
Quando o governador agiu, trinta e quatro pessoas foram sentenciadas. Dezoito foram presas. Após 36 meses na cadeia, onze condenados à morte e sete ao degredo. Execução, apenas uma, a de Tiradentes (a pena dos demais foi comutada em degredo perpétuo). Seu papel na trama foi menor, mas serviria de exemplo.

Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates 1798

Movimento popular (negros, brancos pobres e intelectuais membros da maçonaria). Objetivos:
- declarar República democrática como a da França; - abolição da escravidão; -  liberdade de comércio; - sufrágio universal. Líderes foram duramente repreendidos e ideais não saíram dos planos.

 O Processo de “Independência”/ emancipação do Brasil:

** Vinda da Família Real portuguesa em 1808 para o Brasil:

No século XIX, após a derrubada do absolutismo e com avanço do sistema capitalista, Inglaterra e França competiam pelo expansionismo industrial.
Napoleão Bonaparte, imperador francês, havia declarado o Bloqueio Continental aos ingleses, ou seja, nenhum país poderia manter relações comerciais com os ingleses. Porém, Portugal sempre manteve relações econômicas com ingleses (lembre-se, por exemplo, do Tratado de Methuen de 1703) e sendo assim, não obedece ao Bloqueio decretado por Napoleão.
            Napoleão resolveu invadir Portugal, com apoio da Espanha, com quem dividiria o país invadido (Tratado de Fontainebleau). Diante da declaração de invasão por parte dos franceses, a família real portuguesa foge para a colônia sob a proteção dos ingleses em 1808.
            Os ingleses ajudaram na fuga para o Brasil, em troca de liberdade comercial nas colônias lusitanas. A desastrosa fuga de 36 navios, 15.000 pessoas e metade do dinheiro que circulava em Portugal, contou com a proteção britânica, chegando à Bahia 54 dias depois, posteriormente transferindo-se para o Rio de Janeiro

** Mudanças internas na colônia a partir da presença da família real:
           
*Abertura dos Portos em 1808: Fim do Pacto colonial – comerciantes da colônia poderiam comercializar com qualquer país; burguesia inglesa adquire o mercado consumidor brasileiro.

*Tratado de 1810: Concedia tarifas alfandegária favoráveis para os produtos importados da Inglaterra. Portugal comprometeu-se em acabar com o tráfico de escravos africanos em função da pressão inglesa que ampliava o processo industrial e percebia que o sistema escravista não correspondia ao avanço do capitalismo.

*Elevação do Brasil à Reino Unido de Portugal e Algarves em 1815: Brasil adquire autonomia administrativa; tornou-se sede do Reino: INVERSÃO COLONIAL

* Confisco das melhores casas da capital para abrigar os fidalgos (PR – príncipe regente); taxas e impostos foram criados para sustentar as despesas do Estado

* montagem da estrutura administrativa da monarquia portuguesa na colônia; criação de órgãos públicos; criação do Banco do Brasil; criação de Biblioteca Pública, Teatro, Jardim Botânico; Imprensa Régia; Capitanias passaram a ser denominadas de Províncias.

* Revogação do alvará de D.Maria I que proibia manufaturas no Brasil.

*Diversificação da população; vida cultural intensa; sofisticação dos modos e trajes.

*Política Externa de D. João VI: Invasão da Guiana Francesa; Invasão da Banda Oriental – Uruguai.

CONFLITO NO PERÍODO JOANINO  (1808-1820)
 Período em que D. João VI (rei de Portugal) permanece no Brasil:
Revolução Pernambucana de 1817 ( EMANCIPACIONISTA)

Revolta contra o aumento de impostos para sustentar o luxo da Corte e das guerras travadas por D. João VI. Também a queda dos preços do açúcar e algodão gerou insatisfação.OBJETIVOS:
- Proclamar a República. - Revoltosos implantaram um governo provisório: extinguir impostos,
## Único movimento pré – independência inspirado nas idéias Iluministas que ultrapassou a fase de conspiração; - patriótico, - separatista/ emancipacionista - antiabsolutista,- republicano e liberal.

** Revolução Liberal do Porto de 1820: pressão recolonizadora

             Insurreição militar ocorrida na cidade do Porto, liderada por comerciantes, funcionários e profissionais liberais insatisfeitos com a ocupação inglesa, com o enfraquecimento econômico de Portugal, com a presença da família real no Brasil e principalmente com a Abertura dos Portos brasileiros.
           
OJETIVOS:
- Acabar com absolutismo em Portugal, - Elaborar Constituição Liberal para Portugal,
- RECOLONIZAR o Brasil: 
- Exigem a volta de D. João VI (rei de Portugal que havia fugido em 1808).
            - Cortes de Lisboa decidem: fechar órgãos públicos no Brasil, restabelecer monopólios comerciais, acabando com a ABERTURA DOS PORTOS (voltar com o Pacto ou Sistema colonial); reduzir autoridade de Pedro I e exigir sua volta para Portugal.
           
Por que RESTAURAR A COLONIZAÇÃO DO BRASIL?
Apesar do avanço industrial e das idéias liberais, Portugal dependia do comércio com o Brasil como fonte geradora de lucros. 


 ** Reação das elites brasileiras:
           
Latifundiários e comerciantes brasileiros queriam a manutenção da Liberdade comercial e administrativa.
            Temiam as intenções de recolonização – perda das liberdades adquiridas a partir da presença da família real no Brasil.
Por isso, organizaram-se em clubes políticos, sociedades secretas e jornais.
Fundaram o Partido Brasileiro: (José Bonifácio, Cipriano Barata) combate-se a Recolonização com apoio de Pedro I que não se submeteu às Cortes de Lisboa.
A grande maioria da população ficou alheia ao que acontecia
           
- Dia do Fico (09/01/1822):

As Cortes de Lisboa – órgão legislativo português - exigiram o retorno de Pedro I (filho de D. João VI) a Portugal, ordem desrespeitada no “Dia do Fico”. Devagar e sem muito alarde, José Bonifácio – o Patrono da Independência (que havia fundado a sociedade secreta Apostolado) e o príncipe tramaram os termos do rompimento formal com Portugal.

- O SETE DE SETEMBRO DE 1822:

O príncipe, Pedro I, aceitou o título de “Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil”. Amparado pela elite brasileira mais conservadora e pela Maçonaria, e percebendo que o processo de emancipação política e econômica do Brasil já estava em andamento e não teria volta, o príncipe desrespeitou o ultimato dado pelas Cortes portuguesas que ordenavam seu regresso, e oficializou nossa independência em Sete de setembro 1822.

O processo de Independência/Emancipação foi liderado por um português e pelas elites brasileiras interessadas em:

- manter a estrutura sócio-econômica: latifúndio, agricultura de exportação, escravismo, monocultura: Plantation
- a estrutura política: a monarquia
- manter a unidade territorial, evitando o que aconteceu na América colonizada pelos espanhóis que após a Independência adotou regimes republicanos e se fragmentou em diversos países (Ex: Argentina, Venezuela, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Guatemala, Colômbia, Panamá, México etc...)
- evitar a participação popular.
- D. Pedro I garantiu, desta forma, a presença de um membro da família real portuguesa na administração do Brasil emancipado/independente.


Então, mesmo após o Sete de Setembro, o Brasil permaneceu:

- Dominado pelos proprietários rurais, escravistas, e pelos grandes comerciantes,
- Com a escravidão, que interessava à elite rural, foi mantida (só foi extinta no Segundo Reinado em 1888)
- Mero exportador de produtos agrícolas para a Inglaterra (que inclusive apressou-se a negociar a aceitação do rompimento com Portugal, que recebeu 2 milhões de libras esterlinas, emprestadas ao Brasil pelos banqueiros ingleses...).
- A independência foi feita por uma minoria e para uma minoria: interessada na liberdade comercial (em acabar com o Pacto ou Sistema colonial) e em influenciar a política do país.

- Os EUA foram o 1º país a reconhecer nossa nova situação política: interessava-se em exercer influência política e econômica na América.
- Portanto, a independência do Brasil não acarretou transformações profundas na estrutura social do país e nem foi sinônimo de independência financeira. Teve mais a ver com continuidade do que com ruptura ou mudanças profundas. Por isso, a expressão EMANCIPAÇÃO POLÍTICA reflete melhor os acontecimentos do SETE DE SETEMBRO DE 1822.

Primeiro Reinado (1822-1831): D. Pedro I

Dificuldades iniciais enfrentadas pelo Imperador D. Pedro I:

1. Enfrentar guerras de Independência: Pedro I teve de conter regiões com forte presença de portugueses (RJ, Ba, PA, MA) revoltadas com a Independência.

2. Obter reconhecimento internacional da Independência:
       - Pagamentos de indenizações a Portugal;
       - EUA e México são os primeiros a reconhecer aquele processo.
       - Inglaterra intermediou o reconhecimento internacional, por isso renovou-se o Tratado de 1810 (tarifas/impostos reduzidos para produtos ingleses) e se estabeleceu o Fim do Tráfico de Escravos em 1826.( apesar disto, o trafico continuou.)

3. Superar divergências para elaborar a Primeira Constituição do país. Formaram-se dois partidos políticos com pretensões distintas:

Liberais                         X                                  Conservadores
                        (exigiam reformas mais profundas)                   (buscavam preservar interesses da elite)



*  Constituição da Mandioca” de 1823:

- 1ª tentativa de se elaborar uma constituição (conjunto de leis) para o Brasil independente.
- Este projeto previa: indissolubilidade da Câmara; forças armadas pertenceriam ao Legislativo; decretava a limitação do poder do Imperador. Os artigos limitariam a atuação do Imperador e ampliaria os poderes do Legislativos (deputados e senadores eleitos).
- Recebeu este nome porque um dos seus artigos determinava que somente proprietários de terras poderiam participar das eleições como eleitores ou candidatos.

* Reação do Imperador:
- Dissolução daquela Constituição de caráter liberal e imposição de nova Constituição:

* Constituição em 1824 (OUTORGADA/imposta, sem votação das leis):

- Impôs Monarquia Hereditária Constitucional. 
- Princípios de igualdade jurídica;
- Divisão dos três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário – ideal do iluminista Montesquieu);
- Porém criou o quarto PODER MODERADOR: centralizar a estrutura política do país e possibilitar a intervenção de Pedro I nos outros poderes;
- Voto censitário: apenas quem tinha renda poderia votar.
- Catolicismo como religião oficial, tolerando-se outras crenças
- PADROADO: membros da Igreja católica submetidos ao imperador como se fossem funcionários do Estado.
- Submissão das províncias (divisão interna do Brasil – sinônimo dos estados) ao governo central;
- Não discutiu questões referentes à escravidão ou á situação do indígena;
- Aboliu - castigos corporais, torturas. ;
- Concedeu liberdade de imprensa e expressão.

4. Confederação do Equador (1824):
Movimento de reação à imposição da Constituição de 1824 ocorrido em Pernambuco, liderado por Cipriano Barata, Frei Caneca.
Recebeu apoio da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas (estados próximos à linha do Equador – por isso o nome da revolta).
 Participação de religiosos, militares, estrangeiros.
O movimento foi duramente reprimido por Pedro I que contratou mercenários ingleses. Frei Caneca foi fuzilado. Imperador foi criticado pela repressão violenta ao movimento.


5. Guerra da Cisplatina: (1825/18280) – Brasil X Argentina.
Disputa pela Colônia do Sacramento ou Província Cisplatina ou Banda Oriental. (atual Uruguai).
 Habitantes não aceitavam o pertencimento ao Brasil e se anexam à Argentina.
Pedro I declara guerra aquele país. Após anos de conflito os dois países abrem mão da região que se torna independente dando origem ao Uruguai.
 Brasil tornou-se ainda mais endividado e a figura de Pedro I mais desgastada.

O fim do Primeiro Reinado – (1822-1831):
Fatores da abdicação (abandono) do trono por Pedro  I:

*AUTORITARISMO DO IMPERADOR:
- Fechamento da Primeira Assembléia Constituinte;
- Imposição da Constituição de 1824;
- Violência para conter a Confederação do Equador;
- Crise econômica (gastos com conflitos, falência do Banco do Brasil).

*NOITE DAS GARRAFADAS: protestos contra o Imperador em MG e no RJ.

*Em 1826 com a morte de D. João VI, Pedro tornou-se herdeiro do trono português.

*Pedro ABDICA em favor de seu filho Pedro II que naquela época tinha apenas 5 anos de idade.  Pedro I volta para Portugal em 1831, assume o trono português e morre cerca de três anos depois.

*O poder no Brasil é assumido por deputados, os regentes, representantes das elites do país por nove anos: foi o período Regencial que durou até a maioridade de Pedro II em 1840.


Período Regencial (1831-1840)

 1. Conceito:
A elite agrária, escravocrata assume o poder e a estrutura política do país, implantando um estado conservador e excludente.
Neste período formou-se o Estado Brasileiro, consolidou-se a Independência, sem participação popular. Também foi caracterizado pela agitação social, inúmeras revoltas e efervescência política.               

2. Partidos políticos:

- Restauradores ou Caramurus: lutavam pela volta de Pedro I (até sua morte em 1835), defendiam o absolutismo.
- Liberais Moderados ou Chimangos: contrários à descentralização e às reformas, lutavam pela unidade territorial, defendiam a monarquia, mas sem absolutismo.
- Liberais Exaltados ou Farroupilhas / jurujubas: favoráveis às reformas, lutavam pela descentralização, pela autonomia administrativa, pelo sistema Federalista. 

3. Fases:

*Trina Provisória: Tomou medidas de caráter liberal
*Trina Permanente: Criação da Guarda Nacional (manter a ordem), do Código do Processo Criminal e do Ato Adicional: criou Assembléias Legislativas nas Províncias, permitiu a descentralização: autonomia para províncias, RJ como município neutro.
*Regência Una de Feijó: Pe. Antonio Feijó enfrentou as rebeliões regenciais.
*Regência Una de Araújo Lima: Marcou o triunfo dos conservadores. Lei Interpretativa do Ato Adicional em 1840: reduziu o poder das províncias. Reprimiu violentamente as revoltas.

4. Rebeliões regenciais:
*Causas gerais: Crise econômica devido à queda dos preços dos produtos exportados (açúcar, algodão), recolhimento de poucos impostos (Tratado de 1810), déficits com as indenizações pagas a Portugal e despesas com operações militares.
Concentração de renda. Províncias exigem mais autonomia.

**CABANADA (PE/1832): Cabanos, pequenos camponeses, aliados a senhores de engenho defendiam a volta da monarquia com Pedro I

**CABANAGEM (PA/1835-40): Movimento popular de contestação às condições sociais. Fazendeiros e elites inconformados com a nomeação de presidentes para a província. Populares queriam abolir a escravidão e distribuir terras. Rebeldes tomaram poder por um ano, mas houve divergência entre elites e populares. A repressão foi violenta.

**REVOLTA DO MALÊS: (BA/1835): Insurreição de negros e mulatos – escravos e libertos adeptos ao ISLAMISMO. Sofreram forte repressão.

**SABINADA (BA/1834-37): Movimento da camada média com participação popular que buscou combater autoridades impostas pela regência. Líderes tomaram Salvador e anunciaram a libertação dos escravos. Buscou-se romper com a Regência.

** BALAIADA (MA 1838-41): Movimento popular devido à crise do algodão. Os Bem – te – vis (grupo de oposição ao governo - liberais) com  apoio popular sertanejo iniciaram a revolta contra fazendeiros – Cabanos (Grupos conservadores). Atuação de Duque de Caxias na repressão ao movimento.

**FARROUPILHA OU GUERRA DOS FARRAPOS (RS/ 1835-45):
Movimento elitista.
A crise na produção do charque (carne de sol) e o excesso de centralização (controle excessivo sobre a provincia) geraram o conflito.
Produtores gaúchos, também chamados de estancieiros, lutavam contra os baixos impostos de importação do charque uruguaio e argentino, concorrentes do charque gaúcho.
  Bento Gonçalves, Giuseppe Garibadi lideraram o movimento e proclamaram a República Rio Grandense ou Piratini em 1836. Conquistaram Santa Catarina e fundaram a República Juliana.
Após anos de conflito, Caxias celebrou acordos com estancieiros concedendo anistia e investimentos na produção de charque. MAIOR GUERRA CIVIL DO BRASIL.


O Golpe da Maioridade:

Liberais lançam a idéia de que as revoltas só seriam contidas com a presença da figura do Imperador.
Funda-se o Clube da Maioridade com apoio de proprietários de terras e comerciantes.
Uma Assembléia proclamou a maioridade de Pedro II, então com 15 anos.


Segundo Reinado (1840-1889): D. Pedro II

è Pedro II assume o poder após o Golpe da Maioridade. Ele tornou-se símbolo do Estado, da unidade política, da união das províncias e da garantia de ordem. As principais características do seu governo foram:
- Administrou o Brasil seguindo o modelo do I Reinado:
- Poder Moderador,
- Poder centralizado,
- Voto censitário,
- Seguiu a Constituição de 1824.
            - Consolidou-se o poder das elites. Manutenção da estrutura agrária agro-exportadora.(continuidade do sistema de Plantation – só que agora o produto exportado  era o CAFÉ).
            - Houve o primeiro surto de industrialização.
            - Houve o processo abolicionista.
           
èCriou uma MONOARQUIA PARLAMENTAR NO BRASIL MAS AQUI  PARLAMENTARISMO FOI ÀS AVESSAS DO MODEL INGLÊS:
criou-se a figura do primeiro ministro, porém, que administrava de fato o país era o Imperador, graças ao Poder Moderador. Pedro II poderia dissolver o Parlamento e destituir o 1º Ministro.

No modelo inglês, o monarca tinha poderes limitados e o primeiro ministro, representante do legislativo, administra de fato o país.

è    Partidos políticos:

                              LIBERAL OU LUZIAS                          X      SAQUAREMA ou CONSERVADOR
                                    (Favoráveis à descentralização                                 (defendia governo forte centralizador
                                      poderes para as províncias)                                         poderes concentrados nas mãos
                                                                                                                           do Imperador)


Movimentos/conflitos internos no Segundo Reinado:

·Eleições do Cacete de 1840; Os liberais (“luzias”), tão logo chegaram ao poder, promoveram uma eleição fraudulenta para a Câmara, a fim de afastar os conservadores (“saquaremas”), gerando conflitos.

·Revoluções Liberais 1842: Após o retorno dos conservadores, em Minas e São Paulo os liberais organizaram revoltas em 1842, a fim de desestabilizar o governo.

· Rebelião Praieira (Pe) 1848: Ultima revolta provincial; de caráter liberal. Exigiam fim do voto censitário, queriam liberdade de imprensa, extinção do poder moderador, não tocaram na questão da Escravidão. A derrota do movimento demonstrou a pacificação no Império.

Economia e Sociedade:

A produção CAFEEIRA veio para o Brasil, trazido da Guiana Francesa em 1727, no período da mineração.
Foi ampliada nas regiões da área fluminense do Vale do Paraíba (RJ) e (MG) e se expandiu para Oeste Paulista em meados do XIX (interior de SP – Campinas).
No começo do século XIX é que começou a ganhar força, tomando impulso quando os EUA tornaram-se consumidores do produto

Por quê o CAFÉ é produzido no Brasil no século XIX?
Menor concorrência no mercado internacional,
Demanda,
Disponibilidade de recursos internos (terras, mão de obra, equipamentos - custos baixos, condições naturais favoráveis – solo massapê),
Produção seguiu o sistema PLANTATION: monocultura, escravidão, exportação, latifúndio.
No começo do século XIX é que começou a ganhar força, tomando impulso quando os EUA tornaram-se consumidores do produto

A economia cafeeria permitiu:

· Recuperação econômica do país, após a crise da economia açucareira e da crise da mineração no período colonial;
                                                
·Cafeicultores tornaram-se a elite econômica e política – OLIGARQUIAS RURAIS
                                              
 · Lucros com o café foram investidos em ifraestrutura: ferrovias para escoamento do produto.
                                              
· Atraiu imigrantes assalariados que vão, gradativamente, substituir escravos. O senador Nicolau dos Campos Vergueiro trouxe trabalhadores suíços e alemães para trabalhar em sua fazenda no ano de 1847 (1ª leva e imigrantes a vir para o Brasil trabalhar como mão-de-obra livre, nos sistemas de parceria e colonato, que submeteram os trabalhadores a duras condições de vida e pouca possibilidade de ascensão social.

2. Elaborou-se a TARIFA ALVES BRANCO: aumentaram impostos sobre produtos importados.

3. Criou-se a LEI EUSÉBIO DE QUEIROZ: diante das pressões dos ingleses (Bill Aberdeen – perseguição a navios negreiros) que exigiam o fim do tráfico de escravos para ampliar o mercado consumidor de suas mercadorias no Brasil, Pedro II proibiu o trafico de escravos em 1850.

4. Houve certo crescimento industrial: ERA MAUÁ – Irineu Evangelista de Souza, associado ao capital dos ingleses, investiu-se em indústrias, bancos, ferrovias, diversificou-se as atividades: tecidos, chapéus, iluminação, gás, bondes, iluminação.

Questões externas ocorridas durante o Segundo Reinado:

*Questão Christe (1863-1865): rompimento diplomático entre Brasil e Inglaterra devido à pressão dos ingleses em acabar com o trafico ilegal de escravos.

*Guerra do PARAGUAI (1865-1870):
Tríplice Aliança (Brasil/Uruguai/Argentina) com apoio dos Ingleses que teimam desenvolvimento interno do Paraguai. Desfecho: destruição do Paraguai.
Resultados para o Brasil:
- Estímulo à indústria brasileira já que era preciso oferecer armamentos, munição, mantimentos aos militares.
- Fortalecimento do Exército, vencedor do conflito.
- Participação de escravos que recebem ALFORRIAS pela participação.
- Aumento da CAMPANHA ABOLICIONISTA E DA REPUBLICANA.


O MOVIMENTO ABOLICIONISTA:

Deu-se pela pressão internacional (Inglaterra capitalista interessada em mão-de-obra livre, assalariada e consumidora dos produtos industrializados); processo de abolição GRADUAL e promovido pelo próprio ESTADO BRASILERIO.
 A abolição aconteceu , aos poucos, como era conveniente para os proprietários de escravos.
         - Desde1845 a Inglaterra através da Lei Bill Aberdeen, atacava os navios negreiros do Brasil.
                     - Lei Eusébio de Queiroz 1850 – proibiu tráfico de escravos
- Lei do Ventre livre/ Lei Rio Branco 1871 – filhos de escravos seriam livres após os 8 anos de idade , se o governo  indenizasse os proprietários, ou mantidos os escravos deveriam trabalhar até os 21 anos para pagar a indenização.
- Lei dos Sexagenários 1885 – (Cotegipe-Saraiva) Libertação de escravos com mais de 60 anos, provocou a gargalhada nacional, já que não viviam tanto.
- Lei Áurea de 1888 – Fim efetivo da escravidão, porém sem amparo social. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea (1888) apenas 5% da população era escrava.
                       - Em 1884 Ceará e Amazonas aboliram a escravidão.

Os abolicionistas da sociedade brasileira:

O movimento abolicionista intensificou-se, com nomes como André Rebouças (médico), Antônio Bento (juiz), Luís Gama, Raul Pompéia, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e Jerônimo Sodré (escritores). No Ceará a abolição foi decretada em 1884.
Advogados passaram a montar processos pela libertação, ferroviários organizavam planos de fuga, tipógrafos negavam-se a imprimir artigos de cunho escravista.
A Igreja passou a defender a abolição a partir de 1887. O abolicionismo contaminou as cidades.
No entanto, os abolicionistas nada fizeram para melhorar o destino dos recém-libertos, abandonando-os à própria sorte, marginalizados. Os 4,5 milhões de escravos que haviam sido trazidos para o Brasil (dos quais restavam 700 mil), passaram aos salários miseráveis nas fazendas ou às favelas



CRISE DO SEGUNDO REINADO:
                       

As mudanças sócio-econômicas do século XIX contribuíram para abalar a estrutura da Monarquia. A substituição do trabalho escravo pelo imigrante, o crescimento industrial, a urbanização, o surgimento de classes médias urbanas no Rio de Janeiro (capital) e a intensificação cultural contribuíram para repensar o sistema político do país.

QUESTÃO DOS ESCRAVOS: a proclamação da abolição desgastou a relação do Imperador com proprietários rurais mais tradicionais contrários à abolição por conta dos prejuízos financeiros.
           
CONFLITO COM A IGREJA: Regime de PADROADO (padroeiro deveria propagar a fé cristã e tinha como privilégio indicar religiosos para funções eclesiásticas e cuidar da construção de novos templos) e BENEPLACITO (atos ditados pelo papa só seriam adotados no Brasil com consentimento do Imperador) – intervenção do Imperador na Igreja se desgastou. Críticas da Igreja à participação de maçons em missas e cultos.

CONFLITO COM O EXÉRCITO: Exército exige, após atuação na Guerra do Paraguai, maior reconhecimento e maior atuação. Revolta-se contra os baixos soldos, punições e contra a interferência de civis em questões militares. Após a Guerra do Paraguai, o exército passou a recusar-se a perseguir escravos fugidos
Militares se aproximaram do POSITIVISMO e dos ideais de República: “ordem e progresso”. O           Positivismo deve ser entendido como doutrina filosófica que defendia uma República ditatorial, centralizada e forte.
            Militares defendiam o fim da escravidão, industrialização, imigração.

DIFUSÃO DAS IDÉIAS REPUBLICANAS: Fazendeiros do Oeste paulista e classes médias urbanas reivindicavam representação política. Acreditavam que em um novo regime político – A República – teriam maior participação.

A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

            Razões da crise do 2º Reinado: Questão religiosa (rompimento da Igreja com Pedro II), abolicionista (latifundiários tradicionais insatisfeitos com o processo de abolição), insatisfação do exército (excluídos da vida política) e difusão das idéias de República após a Guerra do Paraguai.
            A derrubada da monarquia foi articulada na noite de 14 de novembro quando surgiram boatos de que o Exército seria substituído pela Guarda Nacional e que seus líderes como Deodoro da Fonseca e Benjamin Constan seriam presos.  O governo imperial até tentou promover algumas reformas políticas como maior liberdade religiosa, de ensino e autonomia para as províncias. Entretanto, já era tarde.
            Deodoro cercou o Ministério e de forma pacífica, prendeu alguns ministros imperiais no Rio de Janeiro, derrubou o chefe do gabinete – visconde de Ouro Preto - e proclamou a República. Tropas desfilaram na capital comemorando o feito. O Golpe liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca que derrubou a Monarquia no dia 15 de novembro de 1889 contou com apoio de classes medias e oligarquias rurais, porém a população permaneceu marginalizada (BESTIALIZADA) diante daquele processo político.
            O Imperador, Pedro II, já doente, estava em Petrópolis e não pode reagir. Republicanos pediram que Pedro II e sua família deixassem o Brasil imediatamente.
            É fundamental entender que a mudança da forma de governo, queda da Monarquia e implantação da República não contou com a participação popular. Então, que promoveu a implantação da República?
            - A classe média urbana: representada pelo Exército;
            - A oligarquia cafeeira: representada pelo Partido Republicano;
            - E o povo? Permaneceu BESTIALIZADO.

 
 

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